Para a primeira consulta de reposição hormonal, vale levar exames feitos nos últimos meses (principalmente os hormonais, com as faixas de referência), a lista de todos os medicamentos e suplementos em uso, informações sobre o histórico pessoal e familiar de doenças e as dúvidas anotadas. Com isso, o médico consegue avaliar mais rápido se a reposição faz sentido e quais exames ainda faltam.

Este texto é para quem já decidiu fazer a avaliação e quer chegar preparado. Nada aqui substitui o que será pedido na consulta: muitas vezes, mesmo com tudo organizado, o médico solicita exames complementares antes de qualquer decisão.
Exames anteriores que vale levar
Exames antigos ajudam a ver a tendência ao longo do tempo, o que costuma ser mais útil do que um resultado isolado. Leve os laudos completos, com data, laboratório e faixa de referência impressa. Fotos de tela que cortam essas informações dificultam a leitura.
Para homens
- testosterona total e, se houver, testosterona livre ou SHBG;
- LH, FSH, prolactina e estradiol, se já foram dosados;
- hemograma, que inclui hemoglobina e hematócrito;
- PSA e qualquer avaliação de próstata já feita;
- perfil de colesterol, glicemia, hemoglobina glicada e função do fígado e dos rins;
- espermograma, se já foi feito, principalmente para quem pensa em ter filhos.
Para mulheres
- exames hormonais anteriores (FSH, estradiol, outros), com a data e, se possível, o dia do ciclo em que foram coletados;
- mamografia e ultrassom de mamas mais recentes;
- ultrassom transvaginal e preventivo (papanicolau);
- densitometria óssea, se já foi feita;
- perfil de colesterol, glicemia, função da tireoide, do fígado e dos rins.
Não é preciso fazer todos esses exames antes da consulta. A ideia é levar o que já existe. O médico decide o que falta pedir e em que condições a coleta deve ser feita, como horário e fase do ciclo.
Como organizar os documentos
Uma organização simples poupa tempo na consulta. Separe os laudos em ordem de data, do mais antigo para o mais recente, e deixe juntos os resultados do mesmo exame feitos em momentos diferentes. Se os exames estão no aplicativo do laboratório, baixe os arquivos em PDF antes, para não depender de senha ou de internet na hora. Na teleconsulta, vale ter os arquivos prontos para enviar pelo canal indicado pela equipe.
Se você já fez algum tratamento hormonal, anote também como foi: qual medicamento, por quanto tempo, se houve melhora, quais efeitos apareceram e por que parou. Essa informação costuma ser mais útil do que parece, porque mostra como o seu corpo respondeu e ajuda a evitar repetir o que não deu certo.
Medicamentos e suplementos em uso
Essa é uma das informações mais importantes, e uma das mais esquecidas. Leve uma lista com nome, dose e há quanto tempo usa cada item, ou leve as caixas e receitas. Inclua:
- remédios de uso contínuo, como para pressão, colesterol, diabetes, tireoide, ansiedade ou depressão;
- anticoncepcionais, DIU hormonal ou qualquer tratamento hormonal anterior, com data de início e de suspensão;
- medicamentos para queda de cabelo, acne ou próstata, que podem interferir em hormônios;
- suplementos, vitaminas, fitoterápicos e produtos vendidos como “naturais” ou “pró-hormonais”;
- uso atual ou passado de anabolizantes, implantes ou hormônios sem prescrição.
Esse último ponto merece honestidade. O médico não está ali para julgar, e saber do uso anterior muda a interpretação dos exames e a conduta. Anabolizantes, por exemplo, podem suprimir a produção natural de testosterona por tempo variável.
A lista também ajuda a identificar interações e contraindicações. Os principais riscos que o médico avalia estão no texto sobre riscos e contraindicações da reposição hormonal.
Histórico pessoal e familiar importante
Algumas condições mudam completamente a decisão sobre reposição. Se você tiver ou já teve alguma delas, anote a data e, se possível, leve relatórios:
- trombose, embolia pulmonar ou outros problemas de coagulação;
- infarto, AVC ou outra doença cardiovascular;
- câncer de mama, de endométrio, de ovário ou de próstata;
- doença do fígado;
- sangramento vaginal sem explicação;
- enxaqueca com aura;
- apneia do sono;
- pressão alta difícil de controlar.
Na história familiar, interessam principalmente casos de câncer de mama, ovário e próstata, trombose e doença cardiovascular em idade precoce, especialmente em pais e irmãos.
Informações sobre os sintomas
Anote quando os sintomas começaram, como evoluíram e o que mais incomoda: ondas de calor, alterações do sono, humor, libido, disposição, ciclo menstrual, ganho de peso. Para mulheres, a data da última menstruação e o padrão dos ciclos nos últimos meses são essenciais.
Planos de ter filhos
Diga se pretende ter filhos. Em homens, a testosterona usada como reposição pode reduzir a produção de espermatozoides, e isso muda a escolha do tratamento. Em mulheres, a possibilidade de gestação também altera a conduta.
Perguntas para levar anotadas
Na consulta, é comum esquecer o que queria perguntar. Uma lista ajuda a sair com as dúvidas resolvidas. Algumas sugestões:
- Meus sintomas podem ter outra causa além da hormonal?
- Quais exames ainda preciso fazer antes de decidir?
- Se a reposição for indicada, quais são as opções de via (gel, injeção, comprimido, adesivo) e por que uma seria mais adequada para mim?
- Quais efeitos colaterais devo observar?
- Com que frequência vou repetir exames e retornar?
- Por quanto tempo o tratamento costuma durar e como seria a suspensão?
- A reposição pode mexer com meu peso?
Sobre a última pergunta, que aparece em quase toda consulta, o texto reposição hormonal engorda? traz uma explicação mais completa. E, para chegar com uma visão geral das opções de tratamento, vale ler sobre a terapia de reposição hormonal.
Perguntas frequentes
Preciso fazer exames antes da primeira consulta?
Não é obrigatório. Muitas vezes é melhor que o médico peça os exames, porque ele define o horário e as condições corretas de coleta. Leve o que você já tem.
Devo parar algum remédio ou suplemento antes da consulta?
Não suspenda medicamentos prescritos por conta própria. Se usa suplementos, leve a lista e pergunte se algum deve ser interrompido antes de futuros exames.
Saio da primeira consulta com receita?
Depende. Em muitos casos, a primeira consulta serve para avaliar e pedir exames, e a decisão sobre tratamento vem no retorno, com os resultados em mãos.
A primeira consulta pode ser online?
Pode, desde que o médico considere adequado ao caso. Em algumas situações, o exame físico presencial é necessário antes de iniciar o tratamento.
Para fechar
Chegar à primeira consulta com exames, lista de medicamentos, histórico e dúvidas organizados torna a avaliação mais completa e evita retrabalho. A decisão sobre reposição depende do conjunto: sintomas, exames, riscos e objetivos.
O Dr. Túlio Safar é médico com foco em emagrecimento e terapias hormonais e atende em São José do Rio Preto (SP) e online. Se você quer agendar sua avaliação, veja como funciona a consulta.